21/12/2016

POEMAS DO LUCAROCAS



GENTILIZA NÃO PÕE MESA
                     Autor: Lucarocas

Gentileza não põe mesa
É assim que alguém pensa
Mas se falta gentileza
Essa vida não compensa
Pois quem só pensa em dinheiro
Dele fica prisioneiro
Sem nenhuma recompensa.

O homem nem só de pão
Precisa para viver
É preciso a gratidão
Para se fortalecer
Pra que o bem material
Não se torne o ideal
Na alma de qualquer ser.

Quem convive com a paz
Tem na mesa o alimento
Pois a natureza faz
Tudo por merecimento
E quem só guarda rancor
Na boca traz o amargor
Da trava do sofrimento.

E se pela gentileza
Não há então quem se importe
Pensando só que a mesa
É quem vai lhe dá suporte
É bom então se lembrar
Que nada se vai levar
Na hora certa da morte.

Fortaleza, 17 de Agosto de 2016.


         LÁGRIMA DE NATAL
                Autor: Lucarocas

Vi sorrisos de meninos
Numa festa de quintal
Ouvi o tocar dos sinos
E hino celestial
Eu vi um povo contente
Num debulhar de presente
Numa noite de natal.

Apurei minha visão
Do lugar que eu estava
Vi um mundo de ilusão
Onde se comemorava
A comida sobre a mesa
A fortuna e a riqueza
Do povo que ali morava.

Uma lágrima no olhar
Deu-me a visão uma lente
E eu pude observar
A tristeza dessa gente
E observando com calma
Eu vi que em cada alma
Havia um vazio ardente.

Na alma a inveja fingia
Ser uma capa de amor
O ciúme construía
Uma roupa de rancor
E naquele fingimento
O falso contentamento
Era ferida de dor.

Vi o ódio radiante
Se mostrando tão sereno
E o povo celebrante
Ter um amor tão pequeno
Que ficava sufocado
Pelo prazer celebrado
Numa taça de veneno.

Vi um riso falseado
Num teatrar de alegria
Vi o brilho do dourado
Enfeitar a fantasia
Vi o negrume da morte
Dando o destino da sorte
Para aqueles que eu via.

No brilho do meu olhar
Nessa lente de aumento
Vi um povo se abraçar
Com a força do fingimento
Mostrando naquele instante
O maquiar de um semblante
De quem não tem sentimento.

Na mão de homens vazios
Eu vi muito copo cheio
Que faziam desafios
Para tomar o alheio
E pela delicadeza
Eles notavam beleza
Onde eu via tudo feio.

Eu vi uma mulher risonha
Numa orgia natural
Contando história medonha
De uma transa sexual
E de quanto gastaria
Pra fazer a fantasia
Pra brincar no carnaval.

Vi a noite ir findando
Numa alegria forçada
E o céu acinzentando
Ali naquela morada
Não vi prece ou oração
Eu só ouvi a canção
Dessa gente embriagada.

O meu olhar ofuscou-se
E foi voltando ao normal
A lente neutralizou-se
Perdeu o brilho cristal
E eu ali em um canto
Tentei enxugar o pranto
Dessa noite de natal.

Ainda dei uma olhada
Num instante que busquei
Sem manjedoura nem nada
O Natal não encontrei
Eu não vi o meu Jesus
E segurando uma cruz
Fiz uma prece e chorei.

Fortaleza, 15 de Novembro de 2016.
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