21/12/2016

Lágrima de Natal



LÁGRIMA DE NATAL
Autor: Lucarocas

Vi sorrisos de meninos
Numa festa de quintal
Ouvi o tocar dos sinos
E hino celestial
Eu vi um povo contente
Num debulhar de presente
Numa noite de natal.

Apurei minha visão
Do lugar que eu estava
Vi um mundo de ilusão
Onde se comemorava
A comida sobre a mesa
A fortuna e a riqueza
Do povo que ali morava.

Uma lágrima no olhar
Deu-me a visão uma lente
E eu pude observar
A tristeza dessa gente
E observando com calma
Eu vi que em cada alma
Havia um vazio ardente.

Na alma a inveja fingia
Ser uma capa de amor
O ciúme construía
Uma roupa de rancor
E naquele fingimento
O falso contentamento
Era ferida de dor.

Vi o ódio radiante
Se mostrando tão sereno
E o povo celebrante
Ter um amor tão pequeno
Que ficava sufocado
Pelo prazer celebrado
Numa taça de veneno.

Vi um riso falseado
Num teatrar de alegria
Vi o brilho do dourado
Enfeitar a fantasia
Vi o negrume da morte
Dando o destino da sorte
Para aqueles que eu via.

No brilho do meu olhar
Nessa lente de aumento
Vi um povo se abraçar
Com a força do fingimento
Mostrando naquele instante
O maquiar de um semblante
De quem não tem sentimento.

Na mão de homens vazios
Eu vi muito copo cheio
Que faziam desafios
Para tomar o alheio
E pela delicadeza
Eles notavam beleza
Onde eu via tudo feio.

Eu vi uma mulher risonha
Numa orgia natural
Contando história medonha
De uma transa sexual
E de quanto gastaria
Pra fazer a fantasia
Pra brincar no carnaval.

Vi a noite ir findando
Numa alegria forçada
E o céu acinzentando
Ali naquela morada
Não vi prece ou oração
Eu só ouvi a canção
Dessa gente embriagada.

O meu olhar ofuscou-se
E foi voltando ao normal
A lente neutralizou-se
Perdeu o brilho cristal
E eu ali em um canto
Tentei enxugar o pranto
Dessa noite de natal.

Ainda dei uma olhada
Num instante que busquei
Sem manjedoura nem nada
O Natal não encontrei
Eu não vi o meu Jesus
E segurando uma cruz
Fiz uma prece e chorei.

Fortaleza, 15 de Novembro de 2016.
........................

LUCAROCAS
(85) 98897-4497 (Oi – Whats)
99985-7789 (Tim)

www.lucarocas.com.br

31/08/2016

Encontro de Bienal


ENCONTRO DE BIENAL
                 Por:   Lucarocas

            Meu riso se distrai diante de perguntas que não quero dar respostas, mas há delas que a melhor resposta é um silêncio íntimo de perdão pela ignorância alheia. E perguntaram-me, acreditem, “O que vou fazer na Bienal do Livro de São Paulo”.  
            A princípio pensei em não pensar sobre isso.
            Diante de tantas idas e vindas por Bienais, Feiras Literárias e Encontros, me vi no direito de já ter respostas prontas em silêncio de palavras, mas resolvi escrever.
            Encontro, essa é a palavra mais adequada para a resposta da tal pergunta.
            Sempre digo que o melhor do evento são os encontros. Encontros de sorrisos dos amigos velhos, e dos velhos amigos. Encontros de risos de graças daquelas piadas tantas vezes ditas, mas que provocam o mesmo riso da primeira vez. Encontro de abraços trocados com a saudade de ontem. Encontro dos folhetos de cordel que se cruzam no ar da permutação quando cada cordelista oferta ao outro um exemplar do seu mais recente folheto publicado. Encontro em uma foto para registrar o encontro. Encontro dos pássaros canoros que tingem de sons os ambientes num encantamento de Nordeste e de Brasil. Encontro com a arte que desfila nas xilogravuras e fazem cirandas com a poesia do cordel, da viola e do repente. Encontro com a poesia que corta o silêncio do coração e atinge a alma do atento ouvinte. Encontro com a diversidade dos homens que são vistos como deuses pelo que escrevem, mas que são simples mortais diante em seus leitores. Encontro com os admiradores do seu trabalho, e que fazem você acreditar que vale o esforço de continuar escrevendo. Encontro do lanche compartilhado, da rapadura distribuída, da refeição dividida. Encontro da acolhida nos aeroportos e rodoviárias, nos hotéis e pousadas, nas praças, ruas e espaços que acolhem e aplaudem o artista. Encontro com os amigos virtuais que nos acham mais interessantes nas imagens das redes sociais. Encontro com o imaginário literário e a realidade de ser escritor em um país que ainda não dá ao livro o valor que merece. Encontro com a saudade do poeta que faz rimas nos palco celestiais e nos protege com seu olhar de amigo.
            Encontros, encontros. São tantos encontros que talvez a ingratidão do esquecimento me tocasse ao tentar listar todos.
            Um encontro, porém representará todos os encontros, é o encontro com um Deus da inspiração, da criação, um Deus que está presente em toda obra literária, em todo gesto humano, em todo o poder de se fazer encontros.
            Diante de tantos encontros, nessa Bienal haverá mais um que há tempos acontece em diversos pontos desse imenso país, é o encontro de três grandes amigos poetas: Dideus Sales, Lucarocas e Moreira de Acopiara.
            Só esse último encontro já justifica qualquer encontro de Bienal. Simples assim.


Fortaleza, 31 de Agosto de 2016. 08:27h

10/08/2016




GENTILIZA NÃO PÕE MESA
                     Autor: Lucarocas

Gentileza não põe mesa
É assim que alguém pensa
Mas se falta gentileza
Essa vida não compensa
Pois quem só pensa em dinheiro
Dele fica prisioneiro
Sem nenhuma recompensa.

O homem nem só de pão
Precisa para viver
É preciso a gratidão
Para se fortalecer
Pra que o bem material
Não se torne o ideal
Na alma de qualquer ser.

Quem convive com a paz
Tem na mesa o alimento
Pois a natureza faz
Tudo por merecimento
E quem só guarda rancor
Na boca traz o amargor
Da trava do sofrimento.

E se pela gentileza
Não há então quem se importe
Pensando só que a mesa
É quem vai lhe dá suporte
É bom então se lembrar
Que nada se vai levar
Na hora certa da morte.

                 Fortaleza, 17 de Agosto de 2016.


















RÁDIO WEB LUCAROCAS
A Rádio que toca o que toca você.

Contato:
poeta@lucarocas.com.br
(85) 98897-4497 (Oi - WhatsApp)
99666-9396 (tim)

11/04/2016

HOMENAGEM AO POETA CHICO PEDROSA

 

POETA CHICO PEDROSA
Oitenta Anos de Idade, Sessenta de Poesia
                           Autor: Lucarocas

Quis o poder divinal
Que na sua criação
Deus colocasse a mão
Em um ser especial
E através do astral
Com muita luz e magia
Chico Pedrosa viria
Com tamanha divindade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

O Chico amigo da arte
De história um contador
Um grande declamador
Verdadeiro baluarte
Com todo mundo reparte
Sua paz sua energia
Uma luz que alumia
Espalhando claridade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

O vate Chico Pedrosa
Traz alegria na alma
Um tom de voz que acalma
Qualquer paixão dolorosa
Sua voz bem poderosa
Corta o ar com melodia
Sua palavra fatia
A dor de quem tem saudade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Os versos do mestre Chico
Tem a força do arado
De um cavalo no prado
Correndo e ficando arisco
Mas como a luz do corisco
Transforma a noite num dia
Palavra que desafia
Toda regularidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Nos versos do menestrel
Tem gente de todo canto
Tem alegria tem pranto
Tem figura de bordel
Tem linha de carretel
Com a pipa em ventania
Tem calor que não esfria
Os amantes de verdade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Nos traços do seu poema
Chico e um rio a correr
Um caminho a percorrer
No mais diferente tema
Sua grandeza extrema
Traz seu verso em maestria
Em regular simetria
De uma grande humildade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Nos causos que o Chico conta
Tem coisas de arrepiar
Tem ilusão de sonhar
Tem personagem que apronta
Tem gente que fica tonta
Com o mundo de fantasia
Que o Pedrosa nos cria
Com toda a realidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Nas trilhas do poemar
Chico trafega seguro
E trazendo um verso puro
Faz a gente se encantar
E com o seu recitar
Transforma dor em alegria
Tristeza e melancolia
Vira brisa em liberdade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Chico contador de história
Nos textos que ele faz
À nossa lembrança traz
Um registro de memória
E em sua trajetória
Algo novo sempre cria
Mostrando sua maestria
E grande capacidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Quem ouve o Chico falar
Voa na imaginação
E sente no coração
Um diferente pulsar
Às vezes molha o olhar
Com a emoção que ele cria
Mas essa vira alegria
Numa transitividade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Nos livros que o Chico escreve
Tem prece tem oração
Tem cheiro bom da canção
Que faz a alma mais leve
Tem um cantar que se atreve
Com a sua melodia
Confortar melancolia
E toda uma soledade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

No olhar do Chico Pedrosa
Tem brilho de inspiração
Luz que vem do coração
Beleza que vem da rosa
Uma fonte luminosa
Que da alma principia
Uma paz que irradia
O doce dom da verdade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

Chico Pedrosa o poeta
De toda essência da vida
A sua história sofrida
Se confunde a de um profeta
Que pra cumprir sua meta
Faz de Jesus o seu guia
Numa luz que contagia
Com toda simplicidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

O tempo marcou na face
Do nosso grande poeta
Uma história completa
Sem maquiagem ou desface
E mesmo que o olhar embace
Na hora que principia
Ele termina seu dia
Na maior felicidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.

O Chico nesse momento
Já completou os oitenta
De poesia sessenta
De muito aproveitamento
É certo que o esquecimento
Apareça qualquer dia
Pra lhe fazer companhia
Na sua oralidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.


Aqui fica uma homenagem
Do poeta Lucarocas
Que com o Chico fez trocas
De diferente linguagem
E hoje à sua imagem
Diz os textos que ele cria
E com a sua alegria
Em plena felicidade
Oitenta anos de idade
Sessenta de poesia.


Fortaleza, 09 de Abril de 2016



07/03/2016

Mulher Luz de Vida






MULHER, LUZ DE VIDA
                                                                                  Autor: Lucarocas

         A luz que brilha nos olhos de uma mulher traz sempre um lume de vida.
         Se em uma mulher há tristeza, o brilho do seu olhar transmite um lume de esperança. Se há dor, o brilho é de fé, se há alegria, o brilho é de júbilo.
         Se há desarmonia, no fundo do olhar de uma mulher encontra-se a paz.
         No brilho do olhar de uma mulher encontramos sempre um ponto de oração e um brilho de Deus.
Nos olhos de uma mulher encontramos a doçura da maternidade, do companheirismo e do amor.
É no olhar de uma mulher encontramos a sua força de luta, e a chama da vontade de vencer, de fazer um mundo ainda melhor.
         Hoje, quando o mundo é enegrecido pelas mazelas da vida, desejamos que todas as mulheres tragam em seus olhares um brilho de esperança, um lume de fé um jubiloso fulgor e um imenso clarão de paz para que a vida seja sempre uma benção sob os domínios de Deus.
         Pois, só quando essa luminosidade feminina contagiar toda a humanidade, é que seremos verdadeiramente felizes.

         Que a luz divina ilumine todas as mulheres neste dia e sempre.


......................
Para seus melhores momentos sintonize Rádio Web Lucarocas Artes e Letras "A Rádio que oca o que toca você!"

Para ouvi-la em seu computador acesse www.lucarocas.com.br
Para ouvi-la em seu celular ou tablete baixe o aplicativo RadiosNet e localize Lucarocas Artes e Letras

Grato pela audiência.