29/01/2013

PÁSSARO LIVRE


PÁSSARO SOLTO, PÁSSARO MORTO

                                               Lucarocas

 
             A beleza lhe era peculiar, assim como a inteligência.
            Amigas só da escola. Outras, não dou notícia.
             Filha única, mundo único. Quatorze anos de feliz vigilância paterna. Liberdade vigiada, acompanhada sempre que saía, pai e mãe em dedicação total.
            Filhos dão trabalho. Um único filho é melhor criar. Assim deu-se assim ficou, assim foi-se.
           Querida, pacífica, amada. Suas idéias eram de paz, patriotismo e valorização humana. Tinha horror à guerra, horror à fome. Sofria com o sofrimento alheio. Detestava violência, queria liberdade.
           -    Mãe quero sair só, ir à escola! Dizia.
Nada, companhia de pai e mãe para dar segurança.
           -          Mas, mãe!
-          Só depois, um dia desses! Promessas.
No quarto, liberdade nos livros, computador, sonhos.
Ser veterinária grande sonho: animais, natureza, liberdade.
-          Hoje você vai encontrar comigo, voltamos juntas do trabalho. Prometeu a mãe.
Alegria, sorriso, vôo...
Hora marcada, hora seguida. Três quadras, uma estação do metrô. Cinco minutos de uma estação à outra, encontro com a mãe, alegria da volta.
            Passos livres na escadaria.
            Correria.
 Assalto.
Bala perdida
Bala encontrada, no peito.
No chão, pássaro solto, pássaro morto, pássaro livre.