28/12/2012



      AMIGOS DA LUZ

                        Lucarocas

Estava triste num canto
Nos olhos ardor de pranto
Com vergonha de chorar
No peito uma dor corrente
Levando pra minha mente
Tristezas pra me afogar.

Via a vida em minha mão
Querer outra direção
Num afogar de sofrer
E sem forças pra chorar
Nem coragem pra matar
A minha dor a doer.

Enxuguei a solidão
E do pranto fiz canção
Pra uma fé que me conduz
Na noite colhi a brisa
E fui vestir a camisa
Desses Amigos da Luz.

E nesse encontro primeiro
Fui buscar um paradeiro
Levando min’alma nua
E com o encontro marcado
Vi um povo iluminado
Gente em situação de rua.

Eu ali vi muita gente
Numa festa diferente
Nesse clima de natal
Que cada sorriso franco
Também vestia de branco
Todo mundo muito igual.

O pobre, o preto ou o burguês
Ali tinham sua vez
Pra se confraternizar
Comiam a mesma comida
Bebiam a mesma bebida
Num instante a se igualar.

Refleti sobre o que tenho
Pelo muito que desdenho
Da vida que me oferece
A Deus fui pedir perdão
E na minha solidão
Debulhei mais uma prece.

Foi nesse momento igual
Que eu senti o que é Natal
Na paz e amor de Jesus
E não mais eu quis chorar
Para poder me alegrar
Com esses Amigos da Luz.

 
Fortaleza, 28 de dezembro de 2012.

 

 


27/08/2012

A DECEPÇÃO DO ENCONTRO


           A DECEPÇÃO DO ENCONTRO
                 Na Festa da Antologia
                                               Lucarocas

Para mostrar seus valores
Na prosa e na poesia
Um grupo de escritores
Tudo melhor escrevia
Para poder publicar
E assim se consagrar
Na primeira antologia.

Marcaram festa de gala
Num recinto da cidade
E para dar sua fala
Convidaram autoridade
Além de agremiação
Chamaram associação
E a alta sociedade.

Muita pompa e coquetel
Pra todo mundo saudar
Um letreiro de papel
Pra festa identificar
E mesas ornamentadas
Já estavam preparadas
Cada um com seu lugar.

Associação de escritores
Chamaram de Fortaleza
E as senhoras e senhores
Mostravam grande beleza
Mas numa ação de lamentos
O diretor de eventos
Gerou indelicadeza.

Dois artistas convidados
Pra uma apresentação
Ficaram impressionado
Com a má recepção
E a festa da antologia
Tornou-se então nesse dia
Uma grande decepção.

Quando chegaram ao local
Ninguém sabia de nada
E no centro social
A festa estava arrumada
Com os mais belos artigos
Mas para a dupla de amigos
Não tinha hotel nem pousada.

E naquele clima estranho
A dupla cedo chegou
Querendo tomar um banho
Um local não encontrou
E os dois ali esperando
Que houvesse algum comando
De alguém que os convidou.

Então criou-se um dilema
Pra aquela situação
Foi dado um telefonema
Para buscar solução
Mas por diversos momentos
O promotor de eventos
Não quis lhes dá atenção.

Enquanto os artistas sós
Ficavam então esperando
Dizia estar em Orós
Que estava logo chegando
Mas com aquela demora
O certo e que de hora e hora
O tempo ia passando.

E feitos outros contatos
Com o tal anfitrião
Se complicaram os fato
Pra aquela apresentação
Pois ele se manifesta
Dizendo que está na festa
Bem naquela ocasião.

Ao chegar ao ambiente
A dupla foi se encontrar
Com uma porção de gente
Que estava pra festejar
E o tal anfitrião
Buscou lhe dar atenção
Para se justificar.

Deu desculpa esfarrapada
Pro poeta e o violeiro
E numa ação descarada
De quem é um traiçoeiro
Disse sem titubear
Para a dupla se trocar
Ali mesmo no banheiro.

Isso a festa começando
Com muita pompa e alegria
E a dupla observando
A tamanha hipocrisia
Que é capaz um ser humano
No macular do seu plano
Na festa da antologia.

A dupla ficou sabendo
Que estava tudo arranjado
O anfitrião querendo
Deixou a dupla de lado
Pois o espaço sobrava
Então ele colocava
Um amigo seu contratado.

Com ar de humilhação
A dupla foi pra um hotel
Pensando no anfitrião
E em seu moleque papel
Resolveu não mais voltar
Para se apresentar
Na festa do coquetel.

Com uma vergonha tamanha
Buscaram um novo abrigo
Pois em uma terra estranha
Também corriam perigo
E foram telefonar
Para então localizar
Alguém que lhe fosse amigo.

E Deus na sua grandeza
Deu-lhes iluminação
E pra alguém em Fortaleza
Foi feita uma ligação
E pra surpresa geral
A pessoa foi mais legal
Que o tal anfitrião.

Deu pra dupla uma acolhida
Cedendo sua moradia
Deu-lhes conforto e guarida
Com a maior alegria
E estando em fortaleza
Teve maior gentileza
Que o povo da antologia.

E ali em outra cidade
Tiveram muita atenção
Fizeram nova amizade
Viveram grande emoção
E descobriram que amigo
É o que lhe dá abrigo
Sem causar decepção.

E toda aquela viagem
Fez a dupla refletir
E criar bem mais coragem
Pra sua vida seguir
Fazendo bem seu trabalho
Sem ter nenhum atrapalho
De quem só quer destruir.

Esse registro de história
Vai entrar pra galeria
E vai ficar na memória
Da arte e da poesia
Quando com esse recontro
A decepção do encontro
Na festa da antologia.

Por essa situação
Causar um constrangimento
Se faz solicitação
Pedindo deferimento
E com vergonha na face
A dupla pede da ACE
Seu total desligamento.

O Lucarocas poeta
E o Cayman violeiro
Seguirão a sua meta
Rumo a um novo paradeiro
Pra sua arte mostrar
Sem da ACE precisar
Pra seguir pro mundo inteiro.

Fortaleza, 25 de agosto de 2012.

 

16/08/2012


DO MENSALIM AO MENSALÃO
ÊTA PESSOAL LADRÃO

                                 Lucarocas



Seu Mensal era modesto
Um homem trabalhado
Aprendeu a ser honesto
Com seu velho genitor
E em sua simplicidade
Cultivava a honestidade
Como o seu maior valor.

Um simples comerciante
Só vivia a trabalhar
Trazia um jeito marcante
De bem comercializar
Cativava a freguesia
E de tudo ele fazia
Pra todo mundo agradar.

Nunca comprava fiado
Para não ficar devendo
Não era desconfiado
Naquilo que estava vendo
Em tudo ele acreditava
Todo produto pagava
Quando iam fornecendo.

Seu comércio era pequeno 
Porém de grande valia
E com seu jeito sereno
Mantinha uma freguesia
E de certo algum freguês
Fiasse pro fim do mês
Com certeza recebia.

Assim seu Mensal vivia
Ali em sua cidade
Casado com sua Maria
Em plena felicidade
Até que em certo momento
Deus lhe deu um complemento
O dom da paternidade.

Maria feliz ficou
Com a chegada de um menino
E seu Mensal formulou
Para o garoto um destino
Pois não queria ter sócio
E pra seguir com o negócio
O garoto ia ter tino.

Quando o menino nasceu
Fizeram uma “festança”
Seu Mensal o recebeu
Com uma grande esperança
De que esse seu rebento
Tivesse o merecimento
De toda a sua herança.

Não lhe faltava atenção
Havia sempre cuidado
Existia uma proteção
Que vinha de todo lado
E dentro daquele afã
Num Domingo de manhã
Mensalim foi batizado.

O que o menino queria
O pai já dava na mão
Seu Mensal tudo fazia
Pra nunca dizer um não
E nesse procedimento
Ia crescendo o rebento
Sendo o centro da atenção.

Quando o menino cresceu
Já pronto para estudar
Seu Mensal lhe ofereceu
Tudo que podia dar
Lhe deu todo privilégio
Buscou o melhor colégio
Pro filho matricular.

Nada no mundo faltava
Pra Mensalim aprender
Naquilo que ele buscava
Para cumprir seu dever
E se houvesse um problema
Seu Mensal sem ter dilema
Procurava resolver.

Mensalim foi estudando
Com a maior euforia
Quando mais iam ensinando
Mais o menino aprendia
E com tanta habilidade
Com muita facilidade
Toda tarefa fazia.

Fosse qual fosse o problema
Ele tinha uma solução
Montava sempre um esquema
Para aprender a lição
Fazia tudo na prática
Pois tinha na matemática
Sua maior devoção.

Nas contas que executava
Somava não dividia
Em tudo multiplicava
De certo nada perdia
E assim com esse jeito
Fazia ser de direito
Tudo aquilo que queria.

Se acaso algum amigo
Pedisse orientações
Para lhe dar um abrigo
No aprender das lições
Mensalim não se negava
Mas depois ele cobrava
Com juros e correções.

Se um colega atrasado
Em mensalim se encostava
Tentando ser ajudado
Em algo que não gostava
Mensalim com todo apreço
Fazia e cobrava um preço
Que pouca gente pagava.

Assim na sua esperteza
Mensalim foi se formando
Desenvolvia a destreza
De outros ir explorando
E com a sua ambição
No mundo da enganação
Ele ia se formando.

Do seu pai a freguesia
Começou a conquistar
Toda clientela atraia
Com seu modo de atuar
E dentro da sua ciência
Foi ganhando experiência
Na arte de comerciar.

Trazia sempre um sorriso
Para quem fosse chegando
Fazia o que fosse preciso
Pra todos ir agradando
E com sua simpatia
Não havia mercadoria
No seu estoque encalhando.

Mensalim se organizava
Em todas as suas ações
Num momento trabalhava
Noutro fazia as lições
Não tinha tempo pra ócio
Pois punha ali no negócio
Todas suas aspirações.

Seu Mensal muito orgulhoso
Seu filho foi educando
Achando ser vantajoso
Via o comércio aumentando
E com toda confiança
Dava ao seu filho a fiança
Para o comércio ir tocando.

Assim Mensalim cresceu
Entre trabalho e estudo
Nada da lida perdeu
Pois só pensava graúdo
E mesmo se divertindo
De certo ia assumindo
Todo o controle de tudo.

Se no colégio um trabalho
Tivesse que entregar
Buscava logo um atalho
Pra tudo realizar
Não dando para fazer
Mandava alguém escrever
Para ele poder pagar.

Nas provas sempre colava
De modo bem natural
Outras tarefas comprava
Na maior cara-de-pau
E sempre agindo assim
Foi então que Mensalim
Terminou o colegial.

Quando foi pra faculdade
Nunca mudou de conduta
Exercia a autoridade
Sem ter medo dessa luta
E na sua autonomia
Qualquer coisa ele fazia
Para vencer a disputa.

Na hora da formatura
Para buscar mais respeito
Mensalim logo assegura
Da vida o seu grande feito
Longe da honestidade
Conclui sua faculdade
Em um curso de direito.

Depois de comemorar
Aquela sua conquista
Mensalim foi resgata
Os seus dotes de artista
E para ter mais valor
Fez um curso de ator
Buscando o que estava em vista.

Agora ele mais sabia
Como bem representar
E tudo o que ele aprendia
Gostava de praticar
Agora sem faculdade
Tinha toda liberdade
Pra tudo realizar.

Logo depois de formado
Mensalim em sua ação
Trouxe tudo pro seu lado
Toda administração
Ficou dono do negócio
Seu pai só ficou de sócio
Sem fazer reclamação.

Dentro dessa conjuntura
Mensalim se dá valor
Faz jogo com a prefeitura
Conluio com vereador
E no seu entendimento
A cota dos dez por cento
Faz o bom fornecedor.

No jogo do fornecer
Não existe complicação
Pois esta sempre a vencer
A qualquer licitação
E pra toda freguesia
Arranja uma nota fria
Pra aumentar a comissão.

Mensalim sempre combina
Pensando em faturar
Paga aqui uma propina
Imposto faz sonegar
E dentro dessa jogada
Ele nunca perde nada
Em negócio que entrar.

Mensalim ia fazendo
Todo tipo de jogada
Ele já ia fornecendo
Seja qual fosse a parada
E pra dar-se assim tão bem
Deixava oitenta por cem
Com a nota adulterada.

E no jogo que fazia
Manipulava o cliente
Dez por cento a garantia
De um trabalho eficiente
Pra ele qualquer ação
Que houvesse corrupção
Deixava-lhe bem contente.

Assim Mensalim vivia
Buscando mais enricar
Mas lhe faltava alegria
No seu modo de atuar
Foi então que resolveu
Usar do talento seu
Pra na política atuar.

A um pequeno partido
Logo então se filiou
A todos se fez ouvido
Num verdadeiro clamor 
E na primeira eleição
Fez logo sua inscrição
Para ser um vereador.

A prática da sua vida
Tinha lhe dado a lição
E pra vaga concorrida
Comprou voto de montão
Enganou fez ladroagem
Pra em tudo levar vantagem
E conquistar a eleição.

Quando vereador eleito
Viu logo quem era piegas
E arranjou logo um jeito
De se doar em entregas
Fez cada amigo contente
Da câmara foi presidente
Eleito pelos colegas.

Trapaceou na política
Enganou de todo lado
Não dava ouvidos à crítica
Não se sentia culpado
Usando de sua astúcia
Aumentou a sua súcia
Elegendo-se deputado.

No seu estado eleito
Continuou sua ação
Convidava algum prefeito
Pra ter participação
E assim montavam conchaves
Para manterem as chaves
De uma nova eleição.

Nos seus planos de demônio
Salim foi criando fama
Aumentava o patrimônio
Sempre com alguma trama
Formava grandes currais
Pros períodos eleitorais
Lhe darem algum programa.

No período eleitoreiro
Achava tudo normal
Agrada um tesoureiro
De qualquer uma estatal
E depois daquele pleito
Mensalim estava eleito
Deputado federal.

Mais tempo para explorar
Todo e qualquer cidadão
Pois sua meta é formar
O time corrupção
Para que com falcatrua
A turma toda destrua
As riquezas da nação.

Com o time já formado
Salim mostrou seu valor
Teve um acordo selado
Com um grupo de malfeitor
Montaram todo um esquema
E sem ter nenhum problema
Foi eleito senador.

Mas o tempo é mensageiro
De toda grande verdade
E a força do dinheiro
Suprime a liberdade
E Mensalim egoísta
Perdeu seu ponto de vista
Par outra realidade.

Por causa de uma divisão
Que ele não quis fazer
Mensalim teve a impressão
Que tudo ia se perder
Vendo que um assessor
Tornou-se um delator
Dos seus atos a cometer.

A imprensa noticiou
Criou uma certa falação
Mensalim então comprou
Rádio e televisão
Montou um esquema rasteiro
E o amigo fuxiqueiro
É que foi para a prisão.

Do filho a trajetória
Seu Mensal acompanhou
E foi buscar na memória
Aquilo que lhe sobro
Foi grande a decepção
Que ali seu coração
De uma vez enfartou.

Mesmo com o pai falecido
Mensalim continuou
Nunca fazendo esquecido
Os esquemas que montou
E agora se preparava
Para ver se apagava
A imagem que ficou.

Montou a publicidade
Com jeito de inocente
Falou de honestidade
De como era boa gente
E foi pra televisão
Dizer que na eleição
Será novo presidente.

Do jeito que a coisa anda
Aqui em nossa nação
O país se parte em banda
Junto com a corrupção
E o coitado do povo
Vai sempre votar de novo
Nesse pessoal ladrão.

LUCAROCAS

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